Revista E - SESC / São Paulo - Mar /2007
UMA
CIDADE PARA TODOS
Associações
de bairro, ONGs e cidadãos preocupados com a degradação
de áreas urbanas
organizam iniciativas de sucesso para revitalizar espaços
públicos de São Paulo
UM
PÉ DE QUÊ?

|
|
O desejo de melhorar
o lugar onde mora levou a empresária paulistana Rosely
Brancaglione a criar, no ano passado, o Projeto Vila Viva, cuja
primeira ação foi identificar as cerca de 100 espécies
de árvores existentes no bairro de Vila Madalena. "Tudo
começou quando comprei um apartamento que dá de
frente para a Praça Rafael Sapienza [uma das praças
do bairro]", conta Rosely. "Eu via aquele verde todo
e ficava extasiada. E como o meu companheiro é de Paraty
[no estado do Rio de Janeiro], um lugar de grande beleza natural
e onde as pessoas conhecem sua natureza, acho que fiquei com um
pouco de inveja desse conhecimento", diz em tom de brincadeira.
Para concretizar sua vontade de conhecer mais a flora do bairro
- e oferecer essa fonte de informação a outras pessoas
-, Rosely recorreu ao Departamento de Botânica da USP em
busca de assessoria técnica para seu projeto. "Fui
à USP com a cara e a coragem", diz. "O professor
que depois veio a coordenar o projeto, José Rubens Pirani,
estava de férias, mas esperei que ele voltasse, sentei
na frente dele e comecei a falar. Expus minha idéia e ele
a achou bárbara. Inclusive ele me disse que era um meio
de a academia entrar em contato com a comunidade." O próximo
passo foi conseguir autorização da Prefeitura de
São Paulo. "A idéia foi bem recebida pelo pessoal
da Subprefeitura de Pinheiros", afirma. "Mas eles não
sabiam como me encaixar na burocracia." Segundo a empresária,
a saída foi criar um termo de doação das
placas para a cidade segundo o qual Rosely se comprometia a mantê-las.
"Eu tinha como pagar, tinha quem me ajudasse a fazer, só
precisava da autorização." Com tudo resolvido,
no dia 21 de setembro de 2005, Dia da Árvore, foi entregue
a primeira etapa do projeto, que consistiu na identificação
das espécies de parte do bairro.
|
|
| |
 |
 |
urbanidade
20/09/2006 |
 |
Praça da comunidade
Bem em frente ao fórum de Pinheiros, acaba de surgir a primeira
praça pública na cidade de São Paulo, onde todas
as árvores são devidamente identificadas com seus nomes
científico e popular, graças ao Departamento de Botânica
da Universidade de São Paulo - a idéia é, a partir
dali, espalhar esse aprendizado ecológico não somente
pelas praças mas também nas ruas de toda a cidade. |
Surge a 1ª praça pública, em São Paulo,
onde as árvores são identificadas com seus nomes
científico e popular
Tudo começou por causa da curiosidade
de Rosely Brancaglione, formada em administração
no Mackenzie, com especialização em marketing
na ESPM. Ela preferiu jogar fora seus diplomas de ensino superior
e aprender as artes de uma profissão em extinção
-tornou-se sapateira. "Logo descobri que não tinha
professor nem curso. Acabei descobrindo um sapateiro que me
serviu de mestre", diz. Acabou, no final, abrindo a sua
própria sapataria artesanal.
Quase diariamente ela caminha pela praça
Raphael Spienza, em frente ao fórum de Pinheiros -a
praça foi, na década de 1980, criada na marra,
pela comunidade. Tanto que se chamava informalmente "praça
da Comunidade" até ganhar o nome do político,
o que ainda gera revolta entre antigos moradores, entre os
quais o jornalista Mauro Chaves, que lidera o movimento que
busca devolver àquela área o seu nome original.
Numa dessas caminhadas, Rosely deu-se conta
de que não conhecia o nome de nenhuma daquelas árvores,
quase todas, num espírito comunitário, plantadas
por particulares. "Eu me senti ignorante. E achei que
podia transformar minha ignorância em aprendizado."
Ela foi ao Departamento de Botânica da USP e conseguiu
a ajuda voluntária do professor José Rubens
Piran, que se dedicou a identificar cada um dos espécimes,
alguns deles frutíferos. Trataram, então, de
afixar os nomes científico e popular das árvores
em cada uma delas, imitando um jardim botânico. "Adorei
a sensação de ficar andando entre aqueles seres,
agora conhecidos. Não podia imaginar que, num espaço
tão pequeno, havia tamanha diversidade."
No Dia da Árvore, a ser comemorado
amanhã na praça, Rosely Brancaglione se propõe
a ir mais longe: arregimentar um exército de crianças
e adolescentes para, junto com estudiosos em botânica,
aprender sobre as árvores da cidade, identificando-as
com seu nome popular e científico.
Enquanto esse "exército"
não chega, ela encontrou dois meios de compartilhar
suas conquistas e buscar aliados. Fotografou as árvores
e as colocou num site (www.vilamada.com.br). Além disso,
está percorrendo escolas públicas e privadas
do bairro de Pinheiros para que os alunos possam fazer ali
visitas monitoradas, aprendendo sobre botânica.
Quem sabe, imagina Rosely, se, sensibilizados,
eles não se sentiriam dispostos a reproduzir a experiência
pelas ruas e ajudar a fazer de São Paulo um imenso
jardim botânico. "Isso faria com que preservássemos
mais nossa já escassa natureza."
Gilberto Dimenstein
Coluna originalmente publicada na Folha de S.Paulo, editoria
Cotidiano.
|
|
|
|
| |
|
Árvores
da Vila Madalena serão identificadas por placas
18/09/2006
- Pinheiros
Para comemorar o Dia da Árvore, projeto Vila Viva identifica
as árvores da Vila Madalena
Uma parceria
entre a Subprefeitura de Pinheiros e o site “Vila Madá”
pretende identificar todas as árvores da região da
Vila Madalena. O Projeto Vila Viva conta com apoio do Herbário
do Departamento de Botânica da USP, que está identificando
cada espécie arbórea. A intenção é
proporcionar aos moradores e freqüentadores do bairro um maior
conhecimento e interatividade com a grande diversidade de espécies
existentes em ruas e praças do local.
Segundo Rosely Brancaglioni, do site Vila Madá, a idéia
surgiu pela indagação do porquê da maioria das
pessoas conhecerem tantas marcas de sapatos, bolsas, telefones,
roupas, carros, etc, e não serem capazes de reconhecer quais
árvores estão diariamente decorando seus caminhos.
Além disso, neste mesmo caminho estão indo muitos
jovens, que muitas vezes não conseguem identificar nem as
árvores frutíferas.
Na opinião
do subprefeito de Pinheiros o caráter educativo é
a principal marca do projeto que, segundo ele, deve ter continuidade:
“o próximo passo é identificar as árvores
das demais ruas da Vila Madalena para, depois, passarmos para outros
bairros da região da subprefeitura”, afirma Nilton
Elias Nachle.
Na primeira etapa, já foram instaladas cerca de 250 plaquetas,
identificando as mais de 70 espécies entre as Praças
Raphael Sapienza e Jornalista Roberto Corte Real e as ruas próximas
ao Fórum de Pinheiros: Costa Lobo, Filinto de Almeida, Jericó
e Rodésia. As árvores podem ser visitadas in loco
ou pelo site www.vilamada.com.br , que reservou um espaço
especial para cada rua e praça, informando o nome popular,
nome científico e origem de cada espécie.
A finalização
desta primeira parte do projeto está prevista para o dia
21/09 - Dia da Árvore, e contará com a participação
do subprefeito, que estará na Praça Raphael Sapienza
às 11h.
|
| |
| 
19/09/2006 -
ecologia
Identificação de árvores promove conhecimento
e interatividade na Vila Madalena
Projeto idealizado pelo site Vila Madá com a colaboração
de professor e alunos do IB mapeia e identifica árvores da
região por meio de plaquetas com nome científico,
vulgar e procedência da planta . (Vanessa
Portes)
Na próxima quinta (21), Dia da Árvore, estará
finalizada a primeira fase de um projeto que tem como proposta mapear
e identificar, por meio de plaquetas, as árvores existentes
no bairro da Vila Madalena, na zona oeste de São Paulo, a
fim de aproximá-las da vida das pessoas. Trata-se do Projeto
Vila Viva, uma iniciativa da assessoria do site Vila Madá
(www.vilamada.com.br), que conta com o apoio do Herbário
do Departamento de Botânica do Instituto de Biociências
(IB) da USP e da Subprefeitura de Pinheiros.
O site é
feito por colaboradores e simpatizantes do bairro. A iniciativa
começou a tomar forma no início deste ano, quando
a empresária Rosely Brancaglione, uma das participantes do
site, procurou o professor José Rubens Pirani, do IB, com
a intenção de desenvolver um projeto que proporcionasse
conhecimento e interatividade com a grande diversidade de espécies
de plantas existentes na região. Pirani logo se interessou
a colaborar, oferecendo as informações botânicas
necessárias para a implementação da idéia
e hoje é coordenador científico do projeto.
Na primeira
fase, priorizou-se o mapeamento da região da Praça
Raphael Sapienza, junto ao cruzamento das ruas Rodésia e
Jericó. "Nessa fase, já foram identificadas 150
espécies diferentes de plantas", conta o professor.
Nas quatro
visitas de mapeamento feitas na região, foram identificadas
espécies raras da arborização paulistana, como
o pau-brasil e araucária. Outras, como tipuana, sibipiruna,
alfeneiro, eucalipto, jacarandá mimoso, ipê amarelo
e ipê roxo, que são comuns na região de São
Paulo, apresentaram um grande número de exemplares no bairro.
Nas placas
de identificação, constam o nome científico
e vulgar e a procedência da árvore. Já no site
Vila Madá, é possível encontrar mais informações,
como as características de cada planta, a época de
florescimento, a forma de polinização, além
de fotos da floração e de frutos.
Educação
interativa
O projeto mostra-se também relevante como forma de ser uma
base para que as escolas da região promovam atividades educativas
interativas. "O projeto é mais uma forma de a Universidade
desenvolver uma atividade de extensão, envolvendo base científica
consolidada mas também alcançando a população
de uma forma mais acessível", afirma Pirani.
Os idealizadores
do projeto esperam desdobramentos futuros da iniciativa, como o
envolvimento dos comerciantes locais, das escolas e da própria
Prefeitura, e a realização posterior no site de um
mapa de localização das árvores. Além
disso, segundo o professor do IB, o projeto permite que se crie,
no futuro, por meio de um o banco de dados que está sendo
construído, um sistema de monitoramento e acompanhamento
dos exemplares existentes.
Além
de contar com a participação de professores do IB,
o projeto Vila Viva também envolve alunos do Instituto. Lia
Bezerra Monguilhot, aluna de mestrado, Leonardo Maurici Borges e
Juliana El Ottra, alunos de iniciação científica,
colaboram mapeando e recolhendo informações para elaboração
das plaquetas.
A finalização
da primeira fase do projeto será comemorada neste dia 21
de setembro, às 11 horas, na praça Rafael Sapienza.
Estarão presentes o subprefeito de Pinheiros, Nilton Elias
Nache, o professor Pirani e Rosely Brancaglione representando o
site Vila Madá. |
| |
| 
Pesquisa identifica
150 espécies de árvores na cidade
Alan Meguerditchian
Cento e cinquenta espécies de árvores identificadas
em uma região de quatro ruas e uma praça do bairro
paulistano da Vila Madalena. Este foi o resultado do projeto Vila
Viva que catalogou mais de 250 árvores para a população,
colocando uma placa em cada uma delas, com nome cientifico, popular
e a origem da planta.
"Passava
nas ruas e não sabia de que espécie era cada uma das
árvores. Então me perguntei: porque não identificar
toda essa diversidade para as pessoas que passam todos os dias na
região?", conta a idealizadora do projeto, Rosely Brancaglione,
moradora do bairro.
Para colocar
a idéia em prática, Brancaglione procurou, no início
deste ano, o professor José Pirani, do Instituto de Botânica
da Universidade de São Paulo (USP). Ele passou a fornecer
as informações científicas necessárias
para a implementação do projeto, junto com uma equipe
de alunos da graduação. "Nas quatro visitas de
mapeamento feitas à região, identificamos espécies
raras da arborização paulistana, como o pau-brasil
e araucária. Outras, como tipuana, sibipiruna, alfeneiro,
eucalipto, jacarandá mimoso, ipê amarelo e ipê
roxo, que são comuns na região de São Paulo,
apresentaram um grande número de exemplares no bairro",
detalha.
Segundo os
coordenadores, a partir da realização do projeto,
a região Praça Rafael Sapienza poderá servir
de base para que as escolas da região promovam atividades
educativas interativas. "O projeto é mais uma forma
de a universidade desenvolver uma atividade de extensão,
envolvendo base científica consolidada, mas também
alcançando a população de uma forma mais acessível",
afirma Pirani.
Brancaglione
espera continuar catalogando as espécies das árvores
do bairro. "Esperamos identificar todas até o final
do ano", diz. Tal continuidade é importante, segundo
o professor do IB, pois "o projeto permite que se crie, no
futuro, por meio de um o banco de dados, um sistema de monitoramento
e acompanhamento dos exemplares existentes", explica. Para
isso, o envolvimento dos comerciantes locais, das escolas e da própria
prefeitura é importante.
Todas as árvores
identificadas estão disponíveis no site www.vilamada.com.br
separadas pelas ruas onde estão localizadas e com mais detalhes,
não disponíveis nas placas. No próximo dia
21, no qual se comemora o Dia da Árvore, um evento marcará
a finalização da primeira fase do projeto.
|
|
|